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  • Inflação deve aumentar em até 0,42% neste mês, com pressão de alimentos - Fonte: DCI (SP)

    24-01-2018

     

    A prévia do IPCA de janeiro apontou variação de 0,39%, acima da taxa verificada no mesmo período do ano passado (0,31%); índice “c h e i o” irá incorporar mais reajustes de tarifas de ônibus

    INDICADORES
    São Paulo

    A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), variou 0,39% em janeiro, 0,08 ponto acima da taxa registrada em janeiro do ano passado (0,31%). Em 12 meses, o índice acumula alta de 3,02%, acima dos 2,94% registrados em dezembro, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na expectativa de especialistas, o IPCA fechado de janeiro deve ter elevação entre 0,37% e 0,42%, pressionado pelo aumento dos preços dos alimentos in natura, como os tubérculos, raízes, legumes e carnes, cuja produção é impactada negativamente durante o verão, devido às fortes chuvas e calor intenso típicos da estação.

    Após o mês de março, com a chegada do outono, este efeito de alta tende a se dissipar. Outra pressão na inflação de janeiro virá dos reajustes das tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, parcialmente captados pelo IPCA-15. Por outro lado, a decisão do governo federal de manter a bandeira verde nas tarifas de energia elétrica, até o final deste trimestre, será um alívio para elevação de preços, avalia o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), André Braz.

    Ele estima que o IPCA de janeiro registre variação positiva entre 0,40% e 0,42%, enquanto o Itaú Unibanco prevê aumento de 0,37%, durante igual período. Na prévia do PCA deste mês, o grupo dos Alimentos teve o maior peso (0,19 ponto) no aumento do índice, ao variar 0,76%. Este avanço ocorreu na esteira do crescimento dos preços dos alimentos consumidos em casa, que se elevaram 0,97%. Os preços de alguns produtos subiram bastante, destacou o IBGE, inclusive invertendo a queda registrada em dezembro, como o tomate (19,58%), a batata-inglesa (11,70%) e as frutas (4,39%).

    No total, os tubérculos, as raízes e os legumes registraram avanço de 10,46%. As carnes, por sua vez, variaram 1,53%, após o aumento de 0,41% de dezembro. “Por estarem carregados de efeitos sazonais, esta elevação de preços [dos alimentos] muito provavelmente não irá se sustentar ao longo de 2018, mas, sim, dissipar-se depois do segundo trimestre”, afirma o pesquisador do Ibre-FGV.

    Confortável

    O economista da Superintendência de Economia da Sul-América Investimentos, Newton Rosa, destaca que a elevação sazonal dos preços de alimentos in natura não é determinante para “tirar a inflação” da sua trajetória “confortável”. Segundo ele, o elevado grau de ociosidade da economia, especialmente no mercado de trabalho, tem atenuado as pressões de alta no IPCA. Ele reforça, ainda, que a bandeira verde nas tarifas de energia até março também proporcionará um alívio na inflação durante todo este primeiro trimestre.

    Segundo o IBGE, o grupo Habitação (-0,41%) foi o único a apresentar queda no IPCA-15, motivada pelas contas de energia elétrica que ficaram 3,97% mais baratas e geraram impacto negativo de 0,15 ponto no indicador. O grupo dos Transportes (0,86%) registrou a maior alta percentual entre os grupos (porém teve peso menor do que os alimentos, de 0,16 ponto), tendo em vista a influência dos combustíveis, cujos preços subiram 2,54%. As despesas com Transportes também foram pressionadas pelo etanol (3,86%) e pelas tarifas dos ônibus urbanos (0,43%) e intermunicipais (0,94%).

     

    Sobre este ponto, Braz ressalta que o IPCA fechado de janeiro ainda deve incorporar elevação de tarifas de transporte público de outros municípios ainda não captados pelo IPCA-15. Até o momento, houve variações apropriadas nos preços dos ônibus urbanos em Salvador (1,20%), refletindo o reajuste de 2,78% nas tarifas, desde 2 de janeiro e em São Paulo (1,32%), onde o aumento foi de 5,26% a partir de 7 de janeiro. Ainda em São Paulo, trem (1,32%) e metrô (1,32%) também foram reajustados em 5,26% na mesma data. O pesquisador do Ibre lembra que essas mudanças de preços têm impacto permanente no IPCA.