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  • Ataque à energia limpa - Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

    10-10-2017

    Um dia após investir contra a política de Barack Obama para poupar da deportação os estrangeiros que entraram nos Estados Unidos ilegalmente ainda como crianças, o presidente Donald Trump coloca em campo mais uma iniciativa destinada a minar o legado político do antecessor democrata. O diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês), Scott Pruitt, com trajetória ligada ao lobby dos combustíveis fósseis, anunciou ontem a decisão de revogar o plano do governo Obama para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, parte do compromisso dos EUA com o Tratado de Paris sobre mudanças climáticas — do qual Trump retirou o país.

    “Amanhã (hoje), vou assinar uma proposta para acabar com o Clean Power Plan (Plano de Energia Limpa) da administração passada”, disse Pruitt em um evento político em Kentucky. O programa buscou, pela primeira vez na história dos EUA, conter as emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir das usinas, com reduções previstas de 32% para 2030, em relação a 2005. O plano está suspenso pela Justiça desde fevereiro de 2016, a pedido de 20 estados, na maioria governados por republicanos, como Trump.

    “A guerra contra o carvão acabou”, proclamou Pruitt. “O governo passado estava usando cada pedacinho de poder e de autoridade para usar a EPA e escolher vencedores e perdedores, além da forma como geramos eletricidade no país. Isso é errado”, acrescentou o diretor. Pruitt, político republicano de 49 anos, processou várias vezes a agência que hoje dirige quando era procurador-geral do estado de Oklahoma — inclusive para bloquear a entrada em vigor do plano de energia limpa, que teria fechado as usinas de carvão mais antigas e poluentes. Assim como o presidente, ele é cético quanto às mudanças climáticas.

    “Com essa notícia, Donald Trump e Scott Pruitt vão cair em infâmia por lançar um dos ataques mais flagrantes à saúde pública, ao nosso clima e à segurança de cada comunidade nos EUA”, respondeu o diretor executivo da ONG ecologista Sierra Club, Michael Brune. “O dano causado pela ignorância deliberada de Trump terá agora miríades de rostos humanos, porque ele propõe jogar fora um plano que evitaria milhares de mortes prematuras e dezenas de milhares de ataques de asma infantil todos os anos.”

    Trump, que fez da revogação de regulamentos uma peça central da campanha pela Casa Branca, em 2016, assinou em março um decreto sobre a “independência energética”, que ordenava revisar o plano de Obama sobre o clima para determinar se ele excedia a autoridade do governo ao impor limites de emissão mais estritos.

    Imigração

    Na noite de domingo, a Casa Branca enviou ao Congresso uma “lista de princípios” sobre a imigração que torna ainda mais difícil um acordo com a oposição democrata sobre o controle da imigração ilegal — outro tema central na campanha presidencial de Trump. O documento condiciona a suspensão da deportação para uma parte dos jovens estrangeiros em situação irregular, medida adotada por Obama via ordem executiva (decreto), à aprovação de verbas para a construção de um muro na fronteira com o México, uma das principais promessas do candidato republicano, em 2016.

    O programa do governo democrata, chamado Daca, livrava temporariamente da deportação cerca de 690 mil jovens, chamados dreamers (sonhadores), que ingressaram irregularmente nos EUA com os pais, quando eram ainda crianças. Diante do impasse entre governistas e oposicionistas no Congresso, Trump decidiu em setembro suprimir o programa, mas deixou a medida em suspenso por seis meses, deixando para os líderes das bancadas a tarefa de buscar um acordo. As negociações esbarram agora na dura reação dos democratas, que contam com votos suficientes no Senado para obstruir o andamento da proposta.