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  • Itens extraordinários surpreendem e lucro da Petrobras cai 14% - Fonte: VALOR ECONÔMICO

    11-08-2017

    Com efeito de venda de NTS, resultado operacional é o melhor desde 2012: dívida diminui

    Do Rio e de São Paulo

    A temporada de resultados “limpos” da Petrobras durou pouco. Depois de um primeiro trimestre em que analistas de investimentos tiveram maior clareza sobre o desempenho da empresa, uma série de eventos extraordinários afetou em diferentes sentidos o balanço de abril a junho.

    O lucro operacional do trimestre, de R$ 14,9 bilhões, foi o maior desde 2012, apesar de mais uma retração na sua receita operacional, que ficou em R$ 66,9 bilhões, a menor em termos absolutos desde 2011, e 6% abaixo da registrada um ano antes.

    Já o lucro líquido atribuído aos acionistas da Petrobras ficou em apenas R$ 316 milhões, resultado consideravelmente inferior aos R$ 2,8 bilhões projetados por analistas, segundo levantamento do Valor, e 14,6% inferior ao apurado no mesmo período de 2016.

    Em entrevista coletiva concedida depois da divulgação dos resultados do trimestre, Pedro Parente, presidente da estatal, disse que a empresa observa “melhora constante no resultado econômico-financeiro”.

    A venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), junto com outros ativos, foi o principal fator a aumentar o lucro operacional extraordinariamente. Já a adesão a programas de parcelamento tributários, com efeito contrário também bilionário, “contaminou” a demonstração de resultados nas despesas operacionais, no resultado financeiro líquido e também na linha de Imposto de Renda e CSLL.

    Neste trimestre, os efeitos não recorrentes classificados como ‘itens especiais” teve efeito negativo de R$ 1,37 bilhão no resultado, sendo R$ 6,234 bilhões com programas de regularização de tributos federais, e R$ 6,9 bilhões com a alienação de ativos. Apenas a venda da NTS resultou em ganho de R$ 6,279 bilhões.

    A entrada do caixa com a venda da NTS também teve como efeito uma redução relevante no dívida líquido em dólares da companhia, de US$ 95 bilhões para US$ 89 bilhões entre março e junho deste ano. O endividamento na proporção com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em 3,23 vezes, estável.

    A redução do indicador para pelo menos 2,5 vezes até o fim de 2018 – o nível ótimo, segundo Parente, seria de 1,5 vez – continua sendo a principal meta financeira da empresa. Ao conseguir isso, ela espera diminuir o peso dos juros sobre a dívida. No segundo trimestre, a conta financeira ficou em R$ 8,8 bilhões, e consumiu quase 60% do lucro operacional.

    Venda da NTS ajudou dívida líquida em dólares a cair de US$ 95 bilhões a US$ 89 bilhões entre março e junho

    A companhia também segue renegociando financiamentos. Na entrevista concedida depois da divulgação do resultado, Ivan Monteiro, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, disse que espera anunciar nas próximas semanas uma operação de refinanciamento. “Devemos reduzir ainda mais os volumes de vencimentos para 2018, 2019 e 2020”, disse. Para o ano que vem, a ideia da estatal é reduzir o vencimento de dívidas, atualmente em US$ 9,3 bilhões, para US$ 8 bilhões.
    Nos próximos seis meses, a Petrobras espera contar com recursos de R$ 2 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    No lado operacional, os destaques positivos foram área de Exploração e Produção teve lucro de R$ 4,87 bilhões, alta de 125,3% na comparação anual, e o segmento de Gás e Energia, que lucrou R$ 4,6 bilhões, mais de oito vezes maior que o apurado um ano antes.

    Os ganhos de eficiência na exploração das reservas do pré-sal continuam. O custo de extração no pré-sal ficou abaixo de US$ 7 o barril no segundo trimestre, segundo a diretora de Exploração e Produção da estatal, Solange Guedes. Em 2014, esse mesmo custo estava no patamar de US$ 14 o barril. “A companhia teve habilidade em transformar [o pré-sal] em algo extremamente competitivo. Houve muita tecnologia e gestão para chegar a esse preço competitivo”, disse ela.

    Segundo a diretora, a meta de produção deste ano, de 2,07 milhão de barris diários de petróleo no Brasil, está mantida, apesar das perspectivas de atrasos na entrada em operação das plataformas previstas para este ano.

    O mesmo vale para o plano de venda de ativos, que segue com a previsão de desinvestimentos de US$ 21 bilhões entre 2017 e 2018, segundo Ivan Monteiro. “Temos ao redor de US$ 40 bilhões de oportunidades de desinvestimentos [em análise], afirmou.

    Um dos principais ativos colocados a venda pela estatal é a BR Distribuidora. Segundo Pedro Parente, ainda não há definição sobre qual o percentual da distribuidora de combustíveis será ofertado no processo de abertura de capital da empresa.

     

    Em relação aos investimentos, que caíram 21% no semestre, para R$ 23 bilhões, um novo plano de negócios deve ser divulgado em breve. Segundo Parente, a revisão do plano atual entrará na pauta da diretoria nas próximas semanas. O plano 2017-2021 prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões.